João Reis: "A literatura é uma forma de arte, um modo de aceder a questões humanas, ou àquilo a que muitas chamam alma ou essência humana"

25/04/2020

 

João Reis nasceu em Vila Nova de Gaia, em 1985. Estudou Veterinária, licenciou-se em Filosofia, e foi editor da Eucleia Editora, que fundou, de 2010 a 2012. Entre 2012 e 2015, trabalhou e residiu na Noruega, Suécia e Inglaterra, onde exerceu várias profissões.

Atualmente, é tradutor literário, especialista em línguas nórdicas, tendo traduzido para português livros de Knut Hamsun, Halldór Laxness, August Strindberg e Patrick White, entre muitos outros. Em 2015, foi finalista do Bare Fiction Prize, na categoria de flash fiction, e, em 2018, foi-lhe atribuída uma das bolsas de criação literária da DGLAB.

Quando Servi Gil Vicente é o quarto romance na Elsinore, antecedido por A Noiva do Tradutor, publicado nos EUA, em 2019, A Avó e a Neve Russa, finalista do prémio Fernando Namora 2018, e de A Devastação do Silêncio, um dos romances semifinalistas do Prémio Oceanos 2019.

 

 

Texto e Bio: Cedidas polo autor

- Comecemos cunha idea forte. Que é a literatura para vostede?

 

Uma pergunta difícil. Para mim, a literatura é uma forma de arte, um modo de aceder a questões humanas, ou àquilo a que muitas chamam alma ou essência humana. E, a meu ver, depende bem mais do modo como se narra do que da história propriamente dita. Uma história por si só pode não ter nada de literário. 

 

- Como definiría o seu proceso creativo?

 

Não sigo ritos específicos. Anoto ideias num caderno ou bloco até compor a ideia do romance. O ritmo de escrita varia conforme a minha disponibilidade ou o tema da obra. Normalmente, escrevo apenas quando não estou a traduzir, o que me limita um pouco em termos de tempo. 

 

 

- Como tradutor. Como definiría vostede a un bo tradutor?

 

Um bom tradutor tem, acima de tudo, de dominar a língua de chegada e tentar ao máximo incorporar o estilo original do autor sem o desvirtuar, mas tentando também tornar a obra o mais legível para o público-alvo. No fundo, terá de reconverter o texto sem que o leitor pense na tradução.  

 

- No 2015 publicou A noiva do tradutor (Companhia das Ilhas, 2015). Como nace esta obra?

 

É um romance com uma origem curiosa, porque foi escrito num rasgo de poucos dias. A ideia-base surgiu-me numa caminhada no campo, e posteriormente adicionei-lhe outros pormenores, que foram também surgindo durante a escrita. A escrita foi, neste caso, muito livre de constrangimentos exteriores. 

 

- Esta obra viu unha tradución ó inglés que tivo moitos comentarios positivos. É posible que vexamos esta obra no futuro noutras linguas?

 

 

Sim, de facto tem sido bem acolhida em inglês. Sim, é possível, é tudo uma questão de encontrar o editor e o tradutor ideais. Porque não em galego, castelhano, catalão? Teria todo o gosto, é claro. 

 

 

 

 

 

 

 

 

- Cal é o orixe da novela A Devastaçao do Silêncio (Elsinore, 2018)?

 

Sempre tive um particular interesse por o período histórico em que se situa a narrativa (Primeira Guerra Mundial). Sempre me agradou o fim da Belle Époque e o período posterior ao da Primeira Guerra, dado ser uma época que explica todo o desenrolar do século XX. É também um período que me agrada a nível estético, e que fazia parte do meu imaginário, por alguns dos meus antepassados terem participado da Guerra e sido, inclusive, prisioneiros dos alemães. De resto, não há muitos romances portugueses de referência sobre este período, de modo que quis experimentar uma abordagem diferente. 

 

- Como foi para vostede o feito de que esta novela estivese entre as seminfinalistas do Prémio Oceanos 2019?

 

É sempre bom saber que temos a possibilidade de vencer um prémio monetário, ainda que a hipótese seja remota. Estava na China quando soube que era semifinalista, e foi um italiano que me avisou, o que demonstra que vivemos, sem dúvida, num mundo globalizado! 

 

- Recentemente publicaches Quando servi Gil Vicente (Elsinore, 2019). Todos os lectores coñecen a Gil Vicente, pero non a este teórico servo.

 

 

Na verdade, Anrique é uma personagem fictícia criada por mim. Utilizei os poucos factos conhecidos sobre Gil Vicente na narrativa e Anrique serviu as funções de narrador e assistente de Gil Vicente, que, embora seja um autor ainda estudado nas escolas portuguesas, não é propriamente muito amado por grande parte do público. 

 

 

 

 

 

- Cal é a súa opinión sobre a Galiza? Coñece algunhas obras de literatura na nosa lingua?

 

O autor galego que mais li foi, sem dúvida, Camilo José Cela, que, no entanto, escrevia em castelhano. Não conheço muitas obras escritas em galego, mas já li, por exemplo, A choiva do mundo, de Xosé Pacho Blanco. Lastimo não ter lido mais obras galegas, e tentarei colmatar essa lacuna no futuro. 

 

- Para rematar. Ten algún proxecto en marcha ou finalizado do que poida adiantar algo?

 

No próximo ano talvez publique o meu quinto romance, cuja ação decorre na Coreia do Sul. Este romance está concluído e foi escrito em português. De momento, estou a escrever um romance em inglês, intitulado The Bible of Nicole

 

 

 

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

I'm busy working on my blog posts. Watch this space!

Please reload

Please reload

Soy un párrafo. Haz clic aquí para agregar tu propio texto y edítame. Es muy sencillo.

Goodreads
  • Black Facebook Icon
  • Black Twitter Icon
  • Black Instagram Icon

Versos do día

Suscríbete
Sígueme

Chegamos á cidade a través das pontes pero o noso destino non era río. Levabamos con nós a cativa
para amosarlle o bambear

dos encadeamentos que só relocen no maxín. Ás veces creamos
para crer.

Chegamos á cidade a través das pontes cos pés luxados e as linguas
en equilibrio.
Quitamos os zapatos brancos

de charol. Chegamos. Marchamos. Prometemos non volver.

Poema de Tamara Andrés, en Bosque vermello (Positivas, 2019)

David González Domínguez

Contacto : palabradegatsby@gmail.com