João Reis: "A literatura é uma forma de arte, um modo de aceder a questões humanas, ou àquilo a



João Reis nasceu em Vila Nova de Gaia, em 1985. Estudou Veterinária, licenciou-se em Filosofia, e foi editor da Eucleia Editora, que fundou, de 2010 a 2012. Entre 2012 e 2015, trabalhou e residiu na Noruega, Suécia e Inglaterra, onde exerceu várias profissões.

Atualmente, é tradutor literário, especialista em línguas nórdicas, tendo traduzido para português livros de Knut Hamsun, Halldór Laxness, August Strindberg e Patrick White, entre muitos outros. Em 2015, foi finalista do Bare Fiction Prize, na categoria de flash fiction, e, em 2018, foi-lhe atribuída uma das bolsas de criação literária da DGLAB.

Quando Servi Gil Vicente é o quarto romance na Elsinore, antecedido por A Noiva do Tradutor, publicado nos EUA, em 2019, A Avó e a Neve Russa, finalista do prémio Fernando Namora 2018, e de A Devastação do Silêncio, um dos romances semifinalistas do Prémio Oceanos 2019.



Texto e Bio: Cedidas polo autor

- Comecemos cunha idea forte. Que é a literatura para vostede?


Uma pergunta difícil. Para mim, a literatura é uma forma de arte, um modo de aceder a questões humanas, ou àquilo a que muitas chamam alma ou essência humana. E, a meu ver, depende bem mais do modo como se narra do que da história propriamente dita. Uma história por si só pode não ter nada de literário.


- Como definiría o seu proceso creativo?


Não sigo ritos específicos. Anoto ideias num caderno ou bloco até compor a ideia do romance. O ritmo de escrita varia conforme a minha disponibilidade ou o tema da obra. Normalmente, escrevo apenas quando não estou a traduzir, o que me limita um pouco em termos de tempo.



- Como tradutor. Como definiría vostede a un bo tradutor?


Um bom tradutor tem, acima de tudo, de dominar a língua de chegada e tentar ao máximo incorporar o estilo original do autor sem o desvirtuar, mas tentando também tornar a obra o mais legível para o público-alvo. No fundo, terá de reconverter o texto sem que o leitor pense na tradução.


- No 2015 publicou A noiva do tradutor (Companhia das Ilhas, 2015). Como nace esta obra?


É um romance com uma origem curiosa, porque foi escrito num rasgo de poucos dias. A ideia-base surgiu-me numa caminhada no campo, e posteriormente adicionei-lhe outros pormenores, que foram também surgindo durante a escrita. A escrita foi, neste caso, muito livre de constrangimentos exteriores.



- Esta obra viu unha tradución ó inglés que tivo moitos comentarios positivos. É posible que vexamos esta obra no futuro noutras linguas?


Sim, de facto tem sido bem acolhida em inglês. Sim, é possível, é tudo uma questão de encontrar o editor e o tradutor ideais. Porque não em galego, castelhano, catalão? Teria todo o gosto, é claro.









- Cal é o orixe da novela A Devastaçao do Silêncio (Elsinore, 2018)?


Sempre tive um particular interesse por o período histórico em que se situa a narrativa (Primeira Guerra Mundial). Sempre me agradou o fim da Belle Époque e o período posterior ao da Primeira Guerra, dado ser uma época que explica todo o desenrolar do século XX. É também um período que me agrada a nível estético, e que fazia parte do meu imaginário, por alguns dos meus antepassados terem participado da Guerra e sido, inclusive, prisioneiros dos alemães. De resto, não há muitos romances portugueses de referência sobre este período, de modo que quis experimentar uma abordagem diferente.


- Como foi para vostede o feito de que esta novela estivese entre as seminfinalistas do Prémio Oceanos 2019?


É sempre bom saber que temos a possibilidade de vencer um prémio monetário, ainda que a hipótese seja remota. Estava na China quando soube que era semifinalista, e foi um italiano que me avisou, o que demonstra que vivemos, sem dúvida, num mundo globalizado!


- Recentemente publicaches Quando servi Gil Vicente (Elsinore, 2019). Todos os lectores coñecen a Gil Vicente, pero non a este teórico servo.


Na verdade, Anrique é uma personagem fictícia criada por mim. Utilizei os poucos factos conhecidos sobre Gil Vicente na narrativa e Anrique serviu as funções de narrador e assistente de Gil Vicente, que, embora seja um autor ainda estudado nas escolas portuguesas, não é propriamente muito amado por grande parte do público.






- Cal é a súa opinión sobre a Galiza? Coñece algunhas obras de literatura na nosa lingua?


O autor galego que mais li foi, sem dúvida, Camilo José Cela, que, no entanto, escrevia em castelhano. Não conheço muitas obras escritas em galego, mas já li, por exemplo, A choiva do mundo, de Xosé Pacho Blanco. Lastimo não ter lido mais obras galegas, e tentarei colmatar essa lacuna no futuro.


- Para rematar. Ten algún proxecto en marcha ou finalizado do que poida adiantar algo?


No próximo ano talvez publique o meu quinto romance, cuja ação decorre na Coreia do Sul. Este romance está concluído e foi escrito em português. De momento, estou a escrever um romance em inglês, intitulado The Bible of Nicole.




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para que sexa a proa na reconquista da paisaxe

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Eduardo Estévez, de baleas 

(Caldeirón, 2017)  

David González Domínguez

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