Charo Lopes: "Busco a fascinaçom frente cousas quotidianas que nom deixam de ser um prodígio"


Charo Lopes Boiro (1988) Estudou jornalismo na USC, fotografia na ESAD Antonio Faílde e um mestrado de literatura na UDC. Militou na Assembleia da Mocidade Independentista.

Em 2014 recebe o prémio de poesia “Xuventude Crea”. Em 2015 o Fiz Vergara polo que publica o poemário De como acontece o fim do mundo. Participa na equipa editora da caleidoscopica.gal e no conselho de redação do Novas da Galiza. Exerce como trabalhadora autónoma no âmbito da comunicação e como fotógrafa está especializada em retrato, de uma ótica feminista.


Texto: Aira Editorial

Fotografía: @CharoLopes

- Comencemos cunha idea potente. Qué significa para vostede a poesía?


Tenho algo de conflito com o “poético”, e com o “artístico” em geral. Acho que som categorias que vaziam de capacidade transformadora às obras, sejam do género que sejam. “Fora artistas do bairro”, dizem os movimentos antigentrificaçom.

Porém, acho que existe umha pulsom expressiva -quando se tenhem cobertas certas necessidades básicas- e parece-me interessante procurar ampliar o espaço do sensível; a investigadora Sabela Fraga di num artigo: "Se falamos em batalha, que seja pola emancipaçom do(s) sentido(s)”

Para isto, a poesia é barata: nom som precisos materiais nem ferramentas custosas, e também nom requer o tempo que exige a narrativa ou outros géneros.



Enfim. Indo ao alho, o que é a poesia para mim?


Algo com palavras que comova e ajude a que “a água envenenada poda beber-se”, como di Chantal Maillard. Que tenha sentido em si, como as maravilhas: O tamanho das estrelas, o pam a levedar, a comunicaçom das luras, as greves gerais, um parto, a música, a rota das aves migratórias, a percentagem de água no corpo humano, o sentimento de comunidade, umha transfussom de sangue, nom sei, muitas cousas.

Busco a fascinaçom frente cousas quotidianas que nom deixam de ser um prodígio. Acho que a poesia é dar posto o foco nisso.


- Cómo definiría o seu proceso creativo?


Bastante irregular e pouco disciplinado, no que à literatura se refere. Porém, o meu ámbito laboral está bastante ligado com o criativo. Tanto no meu labor como fotógrafa, em particular no meu projeto umaqualquer.com, como na minha atividade como jornalista freelance, onde fago traduçons e conteúdos, com destaque no Portal Galego da Lingua.

Por outra parte, também participo em dous meios coletivos muito estimulantes: no periódico em papel Novas da Galiza, e na revista online caleidoscopica.gal.


Materiais manuscritos da autora. (@CharoLopes)



- Antes que Álbum (Aira, 2020) xa publicara De como acontece o fin do mundo (Espiral Maior, 2016). Dúas obras que recibiron premio. Pensa que os premios literarios son imprescindibles para calquera sistema literario?


Nom. Que sejam imprescindíveis, ou que um sistema literário esteja alicerçado em prémios penso que é um sintoma de fraqueza. Desconheço que haja dados, mas suspeito que quase ninguém vive de escrever livros neste país. Mesmo as três ou quatro pessoas que poderiam estar no centro do campo, calculo que ingressam mais de atividades derivadas -apresentaçons, formaçons, eventos, etc- do que da venda livros. 


Com isto quero dizer que os prémios estám bem, mas som quase a única hipótese. Depois estám a autopublicaçom ou a publicaçom em editoras pequenas. Mas de que distribuiçom estamos a falar? Qual é o público? Faltam estudos neste sentido, quantitativos, da recepçom. E acho que também cumpre repensarmos estratégias para que o campo cultural galego poida independizar-se dos subsídios e de passo, da expectativa de reconhecimento dentro do sistema literário espanhol.



- Cal é o xerme de Álbum?


O gosto polas fotos, pola ligaçom entre foto e texto e a ideia de fotobiografia. Neste sentido foi mui inspiradora Fina Sanz, a quem cheguei graças a Tareixa Ledo. E também o TFM que figem no mestrado de Literatura, Cultura e Diversidade da UDC, que me levou a ler muito sobre semiótica, para um estudo de caso do livro Esquilos de Pavlov, da brasileira Laura Erber.












- No libro temos unha interesante vinculación entre fotografías e poemas. De feito moitas veces os propios poemas poden definirse coma fotografías e viceversa…


Si, há poemas que som descriçons de fotos. Depois há fotos soltas -como se fossem poemas visuais-, e finalmente há poemas que som imagens mentais, ou fotos inventadas, digamos; sem umha referência visual de origem.


Algunhas fotografías do arquivo da autora e reproducidas en Álbum. Fotografías cedidas pola autora.



- Nas composicións do libro hai un suxeito político e moita crítica as estructuras sociais e normativas. Considera que toda poesía ten que ser combativa?


Pode a poesia transformar estruturas de dominaçom? Eu concordo com o que dizia Leopoldo de Luis “Las revoluciones no se hacen escribiendo poemas, se hacen colectivizando los medios de producción”. Tenho sérias dúvidas do combativo dos meus livros, apesar de terem umha possiçom política explícita e pouco moderada.

Por outra parte acho que os espaços próprios da literatura galega som bastante conservadores, e no campo cultural galego há umha hegemonia do pinheirismo, sob a lógica de que toda luita seja cultural neste país.

Entom, nom considero que a poesia tenha que estar necessariamente à disposiçom das estratégias militantes, mas sim que contribua, seguindo a Rancière, a “umha nova paisagem do visível, o dizível e o factível”.


- Outro tema importante do libro é o proceso de autodeterminación e a vinculación corpo-alma. Procede este interese temático da fotografía?


Acho que a minha carta astral determina umha tendência mística e volúvel, que pode ser isso da “alma” que sinalas. Contra isso, tenho umha fília materialista que me leva a tentar fazer algo com o que tenhem feito de nós -a sociedade, a família, o Reino de Espanha, o capitalismo patriarcal e os astros-: evitar o vitimismo e, sim, autodeterminar-se, apesar do cansado que isso é.


- Se tivese que destacar un texto do libro para unha futura antoloxía da súa obra poética completa. Cal sería?


O intitulado poema 3: atitude
 a postura com que o cego/ se aproxima à paisagem/ a postura com que a surda/ se achega à música/ a postura com que a parapléxica/ enfrenta a fugida.


- Como definiría o estado de saúde da nosa poesía e da creación literaria en xeral?


Nom sei, nom tenho muita ideia de qual é a referência dumha boa saúde literária. Diria que faltam dados. Faltam estudos científicos neste sentido. Por especular: penso que há bastante gente que escreve, mas pouca gente que lê. Ou seja, quem lê é praticamente a mesma gente que escreve.

- Podería recomendar algún título para esta época de inestabilidade que vivimos?


Mancomunidade, umha terra livre sem estado, um ensaio escrito por Joam Evans Pim e editado por Ardora (s)ediçons anarquistas. É um ensaio singelo, lúcido e clarificador.


- Para rematar. Ten algún proxecto en marcha ou finalizado do que poida adiantarnos algo?


De poesia nom tenho nada, ultimamente estou mais focada em ler, e em desenvolver o meu trabalho fotográfico. Mas quando ande mui apurada de quartos, voltarei escrever algo e provar sorte num prémio.


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foto 3: atitude


 

a postura com que o cego

se aproxima à paisagem

a postura com que a surda

se achega à música

a postura com que a parapléxica

enfrenta a fugida.

Charo Lopes, Álbum (Aira, 2020)  

PREMIO CIDADE DE OURENSE DE POESÍA 2019

David González Domínguez

Contacto : palabradegatsby@gmail.com